
BRICS aprova diretrizes para financiamento climático rumo à COP30 no Brasil
Documento propõe reformas e mobilização de US$ 1,3 trilhão para ações climáticas no Sul Global.
Os países do BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — aprovaram sua primeira recomendação conjunta sobre financiamento climático. O documento, denominado “Declaração Quadro para Líderes do BRICS sobre Financiamento Climático”, foi acordado durante a Reunião de Alto Nível sobre Mudança do Clima e Desenvolvimento Sustentável, realizada em 28 de maio. A proposta será apresentada aos chefes de Estado na cúpula do grupo e visa fortalecer a posição dos países em desenvolvimento nas negociações da COP30, marcada para novembro em Belém (PA).
O texto estabelece diretrizes para ampliar o acesso a recursos financeiros destinados a ações climáticas, incluindo reformas em bancos multilaterais, aumento do financiamento concessional e mobilização de capital privado. A embaixadora Tatiana Rosito, secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, destacou que o documento orienta uma ação coletiva do BRICS na área de financiamento climático, buscando assegurar que os fluxos financeiros alcancem os países em desenvolvimento.
Entre os principais objetivos está a elaboração do “Road Map Baku-Belém”, que detalha os passos necessários para mobilizar US$ 1,3 trilhão até 2035 para financiar ações climáticas nos países do Sul Global. A iniciativa brasileira do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) também foi destacada como um mecanismo inovador para incentivar a proteção florestal, oferecendo investimentos que podem alavancar recursos significativos para países que conservam suas florestas.
Além disso, os países do BRICS acordaram a criação de uma plataforma conjunta para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao combate às mudanças climáticas, bem como um laboratório para discutir medidas climáticas que afetam o comércio internacional. Também foi iniciada a discussão sobre contabilidade de carbono, visando aferir a pegada de carbono de produtos e setores econômicos, com impacto nas exportações e importações dos países membros.
A aprovação desta recomendação representa um avanço significativo na coordenação do BRICS em questões climáticas, consolidando uma estratégia propositiva que poderá influenciar positivamente as negociações da COP30 e fortalecer a posição dos países do Sul Global na agenda climática internacional.
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