Belém adota armadilhas inovadoras para combater avanço da dengue na capital paraense
Tecnologia das EDLs será instalada em 11 bairros e no Parque da Cidade até setembro.
Como parte da nova estratégia de enfrentamento às arboviroses, a Prefeitura de Belém iniciou nesta semana a capacitação de agentes para a utilização das Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs), uma tecnologia inovadora desenvolvida para intensificar o controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Na terça-feira (17), cerca de 150 Agentes de Combate às Endemias participaram de treinamento no Centro Integrado de Inclusão e Cidadania (CIIC). A formação técnica contou com a participação de representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Ministério da Saúde, instituições responsáveis pela criação do equipamento.
As EDLs são armadilhas que utilizam o comportamento do próprio mosquito para disseminar larvicida em criadouros. O dispositivo consiste em um balde com água limpa, envolto por uma tela impregnada com o inseticida. Ao pousar na armadilha para depositar seus ovos, a fêmea do Aedes entra em contato com o produto químico e o carrega para outros pontos, ampliando o alcance do controle de forma passiva e eficiente.
Segundo Sérgio Luz, pesquisador da Fiocruz, a tecnologia tem se mostrado de baixo custo e alta eficácia, sendo uma ferramenta importante para locais de difícil acesso. “É uma solução simples, mas com grande impacto comprovado na redução do vetor. Agora, Belém passa a integrar esse esforço nacional de enfrentamento às endemias”, afirmou.
A adesão de Belém ao projeto nacional garantiu o envio de aproximadamente oito mil armadilhas, que serão distribuídas em dois ciclos: entre 4 e 29 de agosto, cerca de 5.300 EDLs serão instaladas nos bairros Jurunas, Guamá, Condor, Canudos e Terra Firme; de 1º a 27 de setembro, mais 3.650 armadilhas seguirão para Marambaia, Sacramenta, Pedreira, Marco, Curió-Utinga e Souza.
Além dos bairros, outras 100 armadilhas serão implantadas no Parque da Cidade como parte dos preparativos para a COP-30, fortalecendo o compromisso de Belém com a sustentabilidade e saúde pública.
As agentes Sebastiana Elizete e Débora Costa, que participaram do treinamento, destacaram a importância da formação para garantir o êxito da nova etapa. “É uma tecnologia que usa o mosquito contra ele mesmo. Com preparo, teremos condições de orientar melhor a população”, explicou Sebastiana. Já Débora ressaltou o papel da comunidade: “O sucesso depende também do entendimento dos moradores sobre a importância de manter a armadilha intacta.”
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Rômulo Nina, a ação complementa o esforço já em curso. Ele afirmou que, nos cinco primeiros meses deste ano, Belém registrou redução superior a 80% nos casos de dengue, e que a chegada das EDLs reforça esse cenário positivo. “Nosso trabalho é contínuo. As EDLs chegam para somar ao que já está sendo feito”, concluiu.
A próxima etapa do projeto ocorrerá entre 1º e 25 de julho, quando os agentes farão visitas domiciliares para orientar moradores e obter autorização para a instalação das armadilhas.
Fontes: Agência Belém, Fiocruz




