Prefeituras podem terceirizar gestão de serviços, mas não compras de produtos, decide TCM‑PA

TCMPA autoriza “quarteirização” para serviços, mas veda esse modelo para aquisição de bens.

Em 19 de agosto de 2025, o Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCMPA) emitiu parecer definindo que prefeituras podem contratar empresas para gerenciar serviços por meio de redes de parceiros, modelo denominado como quarteirização. Contudo, o tribunal deixou claro que essa prática não se estende às compras de bens, como materiais de construção ou medicamentos.

O entendimento do TCMPA estabelece que a terceirização da gestão de serviços — talvez organizada via rede de credenciados ou subcontratação — é permitida desde que observados os requisitos legais. Em contrapartida, a aquisição direta de produtos por esse sistema é vedada, sob pena de transgressão da legislação aplicável.

A deliberação reforça a distinção essencial entre atividade de gestão e compra de bens, pugnando pela adequação ao princípio da legalidade e aos procedimentos de licitação previstos na Constituição Federal e na Lei de Licitações.

Esse posicionamento contribui para delimitar o uso da quarteirização, esclarecendo que, ainda que seja instrumento eficiente para a gestão de serviços — reduzindo custos e demandas licitatórias múltiplas —, não substitui a licitação formal na compra de produtos.

Além disso, o TCMPA abre espaço para que gestores avaliem o modelo com base em estudos técnicos, especialmente quando o objeto envolver prestação de serviços coordenada por terceiros — mas sem que isso se estenda à mera aquisição de itens físicos.

A decisão reforça a importância de seguir as exigências constitucionais do interesse público, da economicidade e da impessoalidade, evitando caminhos que possam comprometer a transparência ou gerar favorecimentos indevidos.

A medida é relevante para orientar municípios a adotarem a quarteirização de forma criteriosa e dentro dos limites legais, mantendo a integridade nos processos licitatórios e assegurando a correta aplicação dos recursos públicos.

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