FIEPA reúne governo e empresários para debater tarifas dos EUA

Encontro discute crédito emergencial e estratégias para amenizar impactos do forte “tarifaço”.

Nesta quarta-feira (23 de julho de 2025), a FIEPA (Federação das Indústrias do Estado do Pará), em parceria com o governador Helder Barbalho e diversos setores produtivos, promoveu uma reunião estratégica para enfrentar as tarifas de 50% que os EUA pretendem impor aos produtos brasileiros, com potencial impacto significativo sobre a economia do Pará.

O encontro teve como eixo central não apenas a definição de linha de crédito emergencial para as indústrias, mas também a formulação de um grupo de trabalho que integrará FIEPA, FAEPA, Sebrae, ACP e governo estadual. O objetivo é planejar respostas articuladas, incluindo possíveis medidas de reciprocidade e ajustes para setores que dependem intensamente de insumos importados dos EUA.

De acordo com dados da FIEPA, o Pará ocupa a 8ª posição entre os estados que mais exportam para os EUA e é o 12º maior importador, com destaque para municípios como Barcarena, Marabá e Castanhal. No primeiro semestre de 2025, as exportações somaram US$ 569 milhões (alta de 43% em relação a igual período do ano anterior), enquanto as importações da região tiveram crescimento de 62%, atingindo US$ 466 milhões.

Estudos técnicos apresentados indicam que, sem contramedidas eficazes, o Pará pode sofrer queda de até 2,8% nas exportações, perda de R$ 306 milhões, retração de R$ 973 milhões no PIB estadual e redução de cerca de 5 088 empregos.

O governador Helder Barbalho defendeu ações com “serenidade” e baseadas na Lei da Reciprocidade, ressaltando a necessidade de proteger a base produtiva local sem recorrer ao protecionismo exagerado. Já Alex Carvalho, presidente da FIEPA, reforçou que lacunas no financiamento e pressões por tempo podem agravar a situação.

Nos bastidores, foi destacado que um dos grandes desafios será lidar com insumos críticos comprados dos EUA — como caminhões e gás natural — cujo aumento de custo pode comprometer a continuidade e competitividade das cadeias produtivas locais.

Com o “tarifaço” previsto para vigorar a partir de 1º de agosto, o seminário sirvió também para articular diálogo diplomático com o governo federal e alinhar o discurso com a CNI, reforçando a necessidade de negociar diretamente com a Casa Branca, alinhando medidas emergenciais e ampliando canais comerciais com outros mercados.

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