Sabores da floresta: comunidades da Trombetas unem gastronomia e sustentabilidade

Por Vicente Crispino.

No coração da Floresta Estadual do Trombetas, no Pará, pequenas comunidades têm resgatado práticas milenares de plantio, manejo e preparo de alimentos — mostrando que é possível preservar a agrobiodiversidade amazônica sem abrir mão do sabor. A iniciativa, promovida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semas) em parceria com as comunidades locais, fortalece tradições ancestrais com foco em sustentabilidade e valorização cultural.

De acordo com Claudia Kahwage, técnica da Diretoria de Gestão da Sociobiodiversidade (DGBio), os povos da Trombetas cultivam e colhem alimentos respeitando as práticas tradicionais, que fazem parte da gastronomia ambiental — um conceito que valoriza o uso de espécies nativas e métodos que não agridem o ecossistema. Os insumos produzidos nessas comunidades, como a farinha de mandioca, formam a base de pratos típicos que aproximam cultura e conservação.

Mapeamento e valorização da sociobiodiversidade

O projeto inclui um trabalho contínuo de inventário, registrando detalhadamente o que é plantado e consumido — um esforço para integrar a sociobiodiversidade local ao planejamento das atividades ambientais. Essa abordagem fortalece a governança local e abre caminho para futuras políticas de apoio.

A Floresta Estadual do Trombetas é considerada referência em gestão integrada de unidades de conservação na região da Calha Norte. Com uma vasta cobertura de floresta ombrófila densa, belíssimas trilhas e quedas d’água, a área alia conservação ambiental e apoio às comunidades tradicionais.
As ações promovidas nessas comunidades se somam a iniciativas de bioeconomia sustentável, alinhadas ao Plano Estadual de Bioeconomia do Pará, fortalecendo uma visão de desenvolvimento que respeita o ciclo da floresta.

Por que essa ação faz a diferença

  • Proteção cultural e ambiental: valorizar a gastronomia local é preservar saberes ancestrais e práticas que mantêm o equilíbrio dos ecossistemas.
  • Empoderamento das comunidades: o protagonismo no manejo e no mapeamento da sociobiodiversidade contribui para autonomia e visibilidade dessas populações, como os quilombolas da Cachoeira Porteira.
  • Pistas para a bioeconomia sustentável: o inventário e uso consciente dos recursos podem servir de modelo para cadeias produtivas que unem conservação, cultura e receita econômica.

Próximos passos e olhares atentos

A recomendação agora é acompanhar como esses mapas do saber alimentar serão traduzidos em políticas públicas: parcerias com universidades, incentivos a agroindústrias locais e possíveis propostas nas mesas de negociação da COP30 em Belém. Um destaque importante será observar como esse saber circula nas cidades – com possível reflexo em cardápios de restaurantes, turismo comunitário e fortalecimento da identidade paraense.

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