Secas extremas ameaçam ecossistemas e populações em todo o planeta, alerta ONU
Relatório global aponta Amazônia, África e Canal do Panamá entre áreas mais afetadas pela crise
Um novo relatório apoiado pelas Nações Unidas revela que as mudanças climáticas e a crescente pressão sobre os recursos naturais estão provocando secas severas em escala global, com impactos profundos sobre ecossistemas, populações vulneráveis e cadeias produtivas. O documento destaca eventos climáticos extremos registrados desde 2023, incluindo a crise hídrica na Amazônia e a escassez alimentar na África.
A pesquisa intitulada Pontos Críticos de Seca ao Redor do Mundo 2023-2025 foi produzida pelo Centro Nacional de Mitigação da Seca dos EUA, em colaboração com a Convenção da ONU de Combate à Desertificação e apoio da Aliança Internacional para a Resiliência à Seca. O estudo reúne dados científicos, governamentais e da imprensa internacional, traçando um cenário alarmante da deterioração ambiental.
Um dos focos do relatório é a Amazônia brasileira, onde secas históricas nos últimos dois anos causaram a morte em massa de peixes e golfinhos ameaçados de extinção. Os níveis recordes dos rios comprometeram o acesso à água potável e ao transporte de centenas de milhares de pessoas. “É uma catástrofe de evolução lenta”, alertou o coautor Mark Svoboda, que classificou o cenário como o pior que já testemunhou.
No continente africano, mais de 90 milhões de pessoas no leste e sul enfrentam fome aguda. Países como Etiópia, Zimbábue e Zâmbia registraram perdas devastadoras na agricultura, além de colapsos energéticos, como o da Represa de Kariba, que reduziu sua capacidade para apenas 7%, provocando apagões de até 21 horas diárias.
A crise também atinge a Europa e a Ásia. Na Espanha, dois anos consecutivos de seca e calor derrubaram a produção de azeitona, o que elevou os preços do azeite. Já na Turquia, o esgotamento de aquíferos causou sumidouros perigosos. No sudeste asiático, a produção de arroz, açúcar e café foi duramente afetada, contribuindo para a inflação de alimentos em diversos países.
O Canal do Panamá teve uma redução drástica no tráfego de navios, com sérios efeitos no comércio global. A média diária de embarcações caiu de 38 para 24 entre outubro de 2023 e janeiro de 2024. Esse desvio obrigou embarcações a usarem rotas alternativas mais longas e caras, como o Canal de Suez ou o Cabo da Boa Esperança.
O relatório faz um apelo por ações urgentes, como sistemas de alerta precoce, infraestrutura resiliente, restauração ambiental e cooperação internacional para preservar recursos hídricos transfronteiriços. A ONU destaca ainda a necessidade de políticas inclusivas que considerem os impactos desproporcionais sobre mulheres e crianças.
Fontes: ONU News, UNCCD, Organização Meteorológica Mundial.





