Guterres admite que meta de limitar aquecimento global a 1,5 °C não será atingida
Secretário-geral da ONU alerta para colapso climático e cobra ação urgente dos países.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a meta global de limitar o aquecimento do planeta a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, prevista no Acordo de Paris há dez anos, não será mais alcançada. O anúncio, feito às vésperas da COP30, acendeu novo alerta sobre a gravidade da crise climática global.
Guterres advertiu que ultrapassar o limite de 1,5 °C provocará “consequências devastadoras” para os ecossistemas, afetando regiões críticas como a Amazônia, a Groenlândia, a Antártida Ocidental e os recifes de coral. Segundo ele, essas áreas estão próximas de atingir pontos irreversíveis de colapso ambiental.
“Não queremos ver a Amazônia transformada em uma savana. Isso pode acontecer se não reduzirmos imediatamente as emissões de gases de efeito estufa”, alertou o chefe das Nações Unidas, reforçando que o planeta já vive os impactos de secas, enchentes e eventos extremos cada vez mais intensos.
De acordo com o secretário-geral, menos de um terço dos países signatários do Acordo de Paris apresentou novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), compromissos climáticos obrigatórios, o que compromete o esforço global de mitigação das emissões.
Guterres também destacou o papel essencial das comunidades indígenas e tradicionais, chamando-as de “os melhores guardiões da natureza”. Ele criticou ainda o lobby de grandes corporações que, segundo ele, “colocam o lucro acima da vida”.
O dirigente português, que deixará o cargo em 2026, reconheceu que gostaria de ter priorizado o tema climático mais cedo em sua gestão. “Hoje o clima e a natureza são o centro das ações da ONU. Essa é uma luta pela sobrevivência da humanidade”, declarou.
Com a COP30 marcada para novembro em Belém (PA), Guterres reforçou que o encontro deverá ser um divisor de águas nas negociações climáticas e cobrou um compromisso real dos líderes mundiais: “Não há mais tempo para promessas. É hora de agir.”
Com informações da Agência Brasil.





