
Negociações preparatórias da COP30 começam com foco na implementação de acordos e fortalecimento do multilateralismo
Brasília recebe encontro que marca o início da fase decisiva rumo à Conferência de Belém; Brasil reforça compromisso com o Acordo de Paris e a transição energética.
As negociações preparatórias para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) começaram nesta segunda-feira (13), em Brasília, com um recado claro à comunidade internacional: é hora de transformar compromissos em ações concretas. O evento, conhecido como Pré-COP, reuniu o presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, o secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, e representantes dos quatro Círculos da Presidência da COP30, em um encontro voltado à implementação dos acordos climáticos e à defesa do multilateralismo.
Três pilares e uma visão global
Na cerimônia de abertura, o vice presidente Geraldo Alckmin destacou os três eixos que guiam a presidência brasileira da COP30: o fortalecimento do regime climático multilateral, a conexão entre a pauta climática e o cotidiano das pessoas e a aceleração da implementação do Acordo de Paris.
“O esforço coletivo de cooperação entre os povos deve se concentrar nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) dos países, alinhadas ao limite de 1,5 °C de aquecimento global. Essa é a prova de que o multilateralismo continua vivo”, afirmou o presidente em exercício.
Brasil apresenta metas mais ambiciosas
Alckmin lembrou que o Brasil apresentou, na COP29 em Baku, sua nova meta climática — a NDC 3.0 — que prevê uma redução entre 59% e 67% das emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, tomando 2005 como base.
“Essa é uma NDC de um país que reconhece a gravidade da crise climática e traça um caminho de prosperidade com baixa emissão de carbono”, disse Alckmin.
Simon Stiell elogiou o compromisso brasileiro e anunciou que a UNFCCC lançará ainda este mês relatórios sobre ambição climática, transparência e adaptação. Ele também fez um apelo para que os países que ainda não submeteram suas novas NDCs o façam antes da COP30, em Belém, “para que cheguemos à conferência com uma visão completa e coordenada”.
Transição energética como motor do desenvolvimento
Durante o encontro, Alckmin destacou o protagonismo do Brasil na transição energética.
“Mais de 80% da energia elétrica brasileira vem de fontes renováveis. É uma prova de que crescimento econômico e sustentabilidade podem caminhar juntos”, afirmou.
Simon Stiell complementou que, em 2024, os investimentos globais em energia limpa ultrapassaram US$ 2 trilhões, sendo que quase 90% da nova capacidade instalada no mundo veio de fontes renováveis. Ainda assim, ele ressaltou a necessidade de garantir que os benefícios da transição energética sejam distribuídos de forma justa entre os países.
COP30: o momento de acelerar
O secretário-executivo da ONU enfatizou que a COP30 precisa apresentar resultados concretos e responder com urgência às evidências científicas sobre o aquecimento global.
“Precisamos mostrar que o multilateralismo climático ainda funciona. É hora de agir com rapidez e amplitude, sem deixar ninguém para trás”, declarou Stiell.
Alckmin encerrou sua fala destacando que “ética, inovação e sustentabilidade não são caminhos paralelos, mas um só: o da responsabilidade compartilhada pelo futuro da humanidade”.
Os quatro círculos da presidência e suas frentes de ação
Após a abertura, representantes dos quatro Círculos da Presidência da COP30 apresentaram os avanços de suas agendas:
- Círculo de Finanças: liderado pelo ministro Fernando Haddad, apresentou o Fundo Florestas para Sempre, a Coalizão Aberta de Mercados de Carbono e a Supertaxonomia, iniciativas voltadas ao financiamento sustentável e à integração de mercados de carbono.
- Círculo dos Presidentes: sob coordenação de Laurent Fabius (presidente da COP21 de Paris), reforçou a importância de implementar os compromissos já firmados.
- Círculo dos Povos: liderado pela ministra Sônia Guajajara, anunciou que a COP30 terá a maior participação indígena da história, com presença recorde de lideranças na Zona Azul.
- Círculo do Balanço Ético Global (BEG): representado pela ministra Marina Silva, destacou que “enfrentar a crise climática é também enfrentar uma crise moral e civilizatória”.
Marina Silva afirmou que a COP30 pretende ser “um grande mutirão da implementação dos acordos” e um novo marco global para evitar o colapso tanto climático quanto diplomático.
Com informações de: COP30.br





