STF já condenou mais de 800 pessoas pelos atos golpistas de 8 de janeiro
Três anos após a tentativa de golpe, Supremo responsabiliza líderes militares e civis por ataque à democracia; Jair Bolsonaro recebeu a maior pena: 27 anos de prisão.
Três anos depois dos atos antidemocráticos que culminaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou mais de 800 pessoas por envolvimento na tentativa de golpe contra a democracia brasileira.
Segundo dados do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, 1.734 ações penais foram apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Destas, 810 já resultaram em condenações, com penas que variam conforme o papel exercido pelos réus na trama.
Julgamento dos quatro núcleos do golpe
Os réus foram organizados em cinco núcleos principais, com base no nível de envolvimento:
- Núcleo 1: Líderes da tentativa de golpe – como Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.
- Núcleo 2 a 4: Composto por militares e civis que prestaram apoio técnico e operacional.
- Núcleo 5: Ainda não julgado, inclui Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo, que vive nos EUA.
Até agora, 29 integrantes desses núcleos foram condenados e apenas dois foram absolvidos por falta de provas: o general Estevam Theófilo e o delegado Fernando Oliveira.
Penas do núcleo principal (Núcleo 1)
Condenados em 11 de setembro de 2025, os principais líderes da tentativa de golpe receberam penas severas:
- Jair Bolsonaro, ex-presidente: 27 anos e 3 meses
- Walter Braga Netto, ex-ministro: 26 anos
- Almir Garnier, ex-comandante da Marinha: 24 anos
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça: 24 anos
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI: 21 anos
- Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa: 19 anos
- Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin: 16 anos e 1 mês
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens: 2 anos (regime aberto, por delação premiada)
Alexandre Ramagem está foragido
O ex-diretor da Abin e deputado federal Alexandre Ramagem fugiu para os Estados Unidos após a condenação. O STF já solicitou a extradição. Outros 60 condenados estão foragidos na Argentina, após romperem tornozeleiras eletrônicas.
*Outras condenações e penas
Além do núcleo de líderes, as condenações se estenderam a militares, agentes públicos e manifestantes:
- Núcleos 2 a 4: Incluem generais, tenentes, coronéis e ex-assessores, com penas de até 26 anos e seis meses.
- Débora Rodrigues dos Santos, cabeleireira, condenada a 14 anos, por pichar a frase “Perdeu, mané” na estátua “A Justiça”, no STF.
Incitadores e executores
Entre os 810 já condenados:
- 395 pessoas foram sentenciadas por crimes como golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.
- 415 foram responsabilizadas por incitação ao crime e associação criminosa.
Acordos e ressarcimentos
Até agora, o STF homologou mais de 560 acordos de não persecução penal (ANPP) para investigados que estavam em frente a quartéis, mas não participaram da depredação.
Esses réus devem:
- Prestar serviço comunitário
- Pagar multas entre R$ 1 mil e R$ 5 mil
- Fazer curso obrigatório sobre democracia
Além disso, todos os condenados deverão pagar, de forma solidária, uma indenização de R$ 30 milhões pelos danos ao patrimônio público.
Consequências adicionais
- Inelegibilidade por 8 anos
- Perda de cargos públicos (para servidores estatutários)
- Processo na Justiça Militar para perda do oficialato (em caso de militares)
Com informações da Agência Brasil.





