Dia do Fonoaudiólogo: apoio essencial para a comunicação de crianças com autismo

Por Camila Eneyla Costa

No dia 9 de dezembro celebra-se o Dia do Fonoaudiólogo — profissão fundamental para o desenvolvimento da fala e da linguagem, sobretudo entre crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em um cenário de crescimento dos diagnósticos no país, a atuação desses profissionais torna-se decisiva para garantir comunicação funcional, autonomia e inclusão social.

Em entrevista à equipe do Amazônia Online, a fonoaudióloga Cristiane Crispino, fundadora do Instituto Luca — nome dado em homenagem ao filho, que também é autista — destaca a importância da estimulação precoce. Especialista em Desenvolvimento Infantil e em Análise do Comportamento aplicada ao TEA e à Deficiência Intelectual, Cristiane explica que, por volta de 1 ano, já se espera que a criança produza algumas palavras simples, variando conforme o estímulo recebido no ambiente familiar. Aos 2 anos, o repertório costuma chegar a cerca de 50 palavras e pequenas frases de duas palavras.

Ela aponta sinais que podem indicar atraso na comunicação, como ausência de balbucio aos 9 meses, dificuldade para formar frases simples aos 2 anos, problemas de compreensão de instruções e pouca interação social. Também esclarece que falar muito não significa falar bem: algumas crianças apresentam grande vocabulário, mas não usam a linguagem para interagir, pedir algo ou responder perguntas, o que pode caracterizar dificuldades específicas de comunicação.

Sem intervenção adequada, atrasos podem gerar prejuízos acadêmicos, desafios cognitivos relacionados à atenção, memória e pensamento simbólico, além de impactos emocionais e sociais, como isolamento e frustrações. Para apoiar o desenvolvimento em casa, Cristiane orienta que pais e responsáveis mantenham um ambiente rico em conversas, leituras, músicas e brincadeiras; nomeiem objetos e ações; deem tempo para respostas; usem livros ilustrados; incentivem jogos de imitação e interações em grupo; e valorizem cada tentativa da criança, sem correções rígidas. O uso excessivo de telas, alerta a especialista, reduz oportunidades essenciais de vínculo e comunicação.

Além das estratégias iniciais, Cristiane ressalta outras práticas que podem fortalecer a expressão da criança no dia a dia. Entre elas estão incentivar a criança a completar frases durante brincadeiras, usar músicas com rimas para ampliar o vocabulário, propor jogos de imitar sons de animais ou objetos, criar diálogos com bonecos e fantoches, brincar de esconder e nomear objetos encontrados e promover situações em grupo que exijam troca comunicativa. Segundo a fonoaudióloga, pequenas ações repetidas rotineiramente ampliam as oportunidades de interação e favorecem a construção gradual da linguagem.

No caso de crianças autistas não verbais, Cristiane explica que a comunicação pode ser ampliada por meio de recursos de Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA), como figuras, aplicativos, gestos e dispositivos eletrônicos adaptados às necessidades individuais. Ela destaca que esses sistemas funcionam melhor em ambientes estruturados e previsíveis, que reduzem a ansiedade e facilitam a compreensão das interações. Segundo a fonoaudióloga, a fala não é o único meio de expressão, e estratégias de CAA, aliadas ao apoio profissional e ao envolvimento da família, permitem que essas crianças comuniquem desejos, sentimentos e necessidades, favorecendo autonomia desde cedo.

Dados divulgados pelo IBGE apontam que 2,4 milhões de brasileiros têm diagnóstico de TEA, representando 1,2% da população. O crescimento da identificação de casos reforça a relevância do trabalho dos fonoaudiólogos, cuja atuação contribui diretamente para o desenvolvimento da linguagem, para o fortalecimento das interações sociais e para a inclusão efetiva dessas crianças na sociedade.

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista, segundo especialistas, envolve a observação de comportamentos relacionados à comunicação, interação social e padrões repetitivos. Ele costuma ser definido por meio de avaliação multidisciplinar, que inclui análise do desenvolvimento, entrevistas com familiares e aplicação de protocolos clínicos específicos. A identificação precoce é considerada estratégica, pois permite iniciar intervenções ainda nos primeiros anos de vida, período em que o cérebro apresenta maior plasticidade e resposta ao tratamento.

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