
Tecnologia preserva história: peças pré-colombianas do Marajó ganham versão digital em 3D
O passado ancestral da Amazônia está sendo preservado com tecnologia de ponta. O Museu do Marajó, localizado na ilha de Marajó, iniciou a digitalização em 3D de peças cerâmicas pré-colombianas que remontam a até 1.200 anos antes do presente.
O projeto faz parte da iniciativa “Memória das Américas”, promovida pela Unesco, com apoio do Iphan e da Secretaria de Cultura do Pará. Ao todo, mais de 100 artefatos cerâmicos estão sendo escaneados, com o objetivo de preservar, difundir e democratizar o acesso ao patrimônio arqueológico amazônico.
“Trata-se de um acervo único da civilização marajoara, uma das culturas mais sofisticadas da América pré-colonial”, afirmou Cláudia Tavares, coordenadora do projeto.
A força da cerâmica marajoara
Com formas simétricas e grafismos complexos, as peças digitalizadas refletem a estética e a organização social dos povos que habitaram o arquipélago do Marajó entre os anos 400 e 1400 d.C.
A versão tridimensional dos objetos será disponibilizada em plataformas abertas, permitindo que pesquisadores, estudantes e o público em geral acessem o conteúdo de qualquer lugar do mundo.
“Estamos preservando uma herança cultural que corre risco diante das mudanças climáticas e da erosão do tempo”, afirmou o arqueólogo Paulo Sérgio Souza, um dos curadores do acervo.
Museu vivo e conectado
O diretor do Museu do Marajó, Carlos Augusto da Silva, afirmou que a digitalização também é uma forma de reconhecer o protagonismo indígena e afrodescendente na formação da cultura amazônica.
Além da preservação virtual, o projeto prevê ações educativas nas escolas da região e parcerias com museus internacionais.
Com essa iniciativa, o Brasil dá um passo importante na proteção digital da memória ancestral da Amazônia, provando que tradição e inovação podem — e devem — caminhar juntas.
Com informações da Agência Brasil.





